sexta-feira, 17 de julho de 2009

Empresas treinam em casa para reduzir déficit de formação

Crise não afeta orçamento de treinamento, que, em alguns casos, até aumentou este ano.

Por Andrea Giardino, Computerworld

15 de julho de 2009 - 07h00

A aposta na formação dos profissionais continua sendo a principal arma do setor de tecnologia da informação (TI) para combater a falta de gente qualificada no País. A boa notícia é que nem a crise afetou o orçamento das empresas. Algumas, inclusive, ampliaram os investimentos para 2009. É o caso da Everis, consultoria especializada em negócios e TI, que ampliou a verba de treinamento no Brasil, saltando de 700 mil reais ano passado para 1 milhão de reais em 2009.

O aumento dos recursos, destinados à universidade corporativa, visa suportar o crescimento no número de funcionários de 2008 para cá. Foram contratadas 150 novas pessoas, totalizando 430 empregados. Todos, desde quem acabou de entrar na companhia até os mais antigos, passam por programas de capacitação. São cursos técnicos e comportamentais, que envolvem profissionais de níveis gerencial e operacional.

“A meta é treinar cada colaborador em pelo menos 56 horas por ano”, afirma Cristhiane Gameiro, gerente de RH da Everis Brasil. No caso dos mais juniores, ela explica que os programas têm o objetivo de prepará-los para assumir cargos mais altos no futuro. “Os menos experientes também são acompanhados por mentores que o ajudam a evoluir na carreira”, diz.

De acordo com Cristhiane, este ano um dos focos da Everis é a área de consultoria, considerada estratégica para a empresa. Tanto que a universidade corporativa tem dado atenção a cursos de liderança para os executivos e treinamentos técnicos para os consultores. Além disso, a Everis mantém um programa de pós-graduação em parceria com a Universidade de La Salle, na Espanha, dirigido aos consultores.

Na Asyst Sudamérica, empresa brasileira especializada em suporte ao usuário, os treinamentos e certificações são subsidiados pela empresa. Para aqueles que chegam sem nada, há um esforço para que se submetam a algum tipo de curso. “As faculdades não conseguem preparar o profissional para o mercado e nossos clientes exigem gente altamente capacitada”, explica Oswaldo Brancaglione, vice-presidente da companhia para a América Latina.

Os investimentos na Asyst abrangem todos os níveis e vão além de cursos técnicos, comportamentais para a liderança e de idiomas. “Temos uma carência de gente que fale inglês, mas por incrível que pareça muitos mal dominam o português”, ressalta. “Damos até aula de interpretação de texto”.

Atualmente, a empresa destina 3% do faturamento – em 2008, a Asyst registrou uma receita de 42 milhões de reais - com programas de treinamento e para 2009 aposta suas fichas no ensino a distância para capacitar, no prazo de um ano, todos os funcionários da operação brasileira. “Para 2010, nossa expectativa também é implantar os treinamentos virtuais nas operações da Argentina e Chile”, afirma Brancaglione.

“Como boa parte dos funcionários atua na casa dos clientes, precisamos chegar até eles”, destaca o executivo. Os treinamentos serão realizados a partir do acesso ao portal Webtraining Asyst, ainda em fase de desenvolvimento, e poderão ser obrigatórios ou opcionais, de acordo com a necessidade da equipe e demanda do contratante.

Faça chuva, faça sol, e a subsidiária brasileira da T-Systems não reduz nenhum centavo dos 0,6% do faturamento bruto do País para treinamento. É o que revela o vice-presidente de RH da companhia, André Vieira. “O profissional de TI não sai pronto da faculdade”, também afirma. Com uma média de 50 contratações por mês – das quais 15 são de estagiários -, a empresa concentra esforços na formação.

“Muitos dos que entram, ainda estão no primeiro ou segundo ano da universidade e precisam ser treinados tanto do aspecto prático como de habilidades comportamentais”, diz Vieira. O executivo explica que formar dentro de casa foi uma das estratégias adotadas pela companhia. “Queremos que o talento seja criado aqui dentro”, afirma.

Prova disso, que em boa parte dos casos, os profissionais são preparados desde o começo da faculdade. Segundo Vieira, 90% dos estagiários são efetivados um ano após ingressarem na companhia.

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