terça-feira, 29 de junho de 2010

Outsourcing: sete formas de aumentar as chances de sucesso

Acadêmicos desenvolvem lista de passos necessários para melhorar a relação entre clientes e fornecedores nos contratos de terceirização.

Por CIO/EUA
28 de junho de 2010 - 12h42

No mercado de TI, o nome de Oliver Wiliamson, que recebeu o Prêmio Nobel de Economia em 2009, ainda não é famoso. Mas, se depender de um grupo de acadêmicos especializados em outsourcing, a situação deve mudar em pouco tempo.

Professor emérito nos cursos de negócios, de economia e de direito na universidade californiana de Berkeley, Williamson recebeu o Nobel por um estudo sobre governança econômica. E uma das teses defendidas pelo especialista no documento é que existe a necessidade de contabilizar todos os custos de um contrato - tanto os óbvios quanto os escondidos - para ter sucesso em qualquer iniciativa de terceirização.

Com base na tese do especialista, alguns acadêmicos, liderados pela professora do centro de educação executiva da Universidade do Tennessee (Estados Unidos) Kate Vitased, autora do livro “Vested Outsourcing: Five Rules That Will Transform Outsourcing” (Outsourcing de resultados: Cinco regras que mudarão o outsourcing, em português), transformaram os ensinamentos de Williamson em nove regras que precisam ser seguidas para aumentar as chances de sucesso de um acordo para terceirização de TI:

1. O contrato deve ser de cooperação
Em um artigo sobre o gerenciamento de contratos de outsourcing e sobre a economia de custos contratual, Williamson escreveu que “a eficiência nas relações de troca tem origem no escambo que nossos antepassados realizavam ao trocar nozes por frutos na beira da floresta. Nessa relação as trocas eram simples e transparentes”.

As modernas relações de outsourcing, por outro lado, são bem mais complexas. Mas Williamson ressalta que ganhos adicionais podem ser realizados com base na criação de processos voltados a assegurar a cooperação entre as partes durante a vigência do contrato. De maneira prática isso significa substituir a frase “O que tenho a ganhar com isso?” por “O que nós temos a ganhar com isso?”. Quando um negócio é bom para as duas partes ele deve ser realmente bom para as duas partes.

2. Custos contratuais escondidos
Não há contrato que termine custando exatamente o que está descrito no campo “Custo total”. Na verdade, a diferença entre o custo nominal e o efetivo pode ser abissal. Determinar qual é essa discrepância é trabalhoso, mas também crucial.

De acordo com Kate, “qualquer relação contratual bem estruturada, que possa ser considerada colaborativa, deve levar em consideração alguns fatores de risco, considerar falta de estoques, calcular frequência e determinar os ajustes a serem feitos para assumir a relação cliente-fornecedor. Se não for assim, não pode ser chamado de contrato.”

Em longo prazo, condições contratuais que relegam a uma parte apenas todos os riscos vão acarretar cutos adicionais.

3. O contrato é uma matriz e não uma arma
Clientes de outsourcing com experiências negativas, muitas vezes, criam contratos blindados, que preveem a maioria das circunstâncias possíveis. De acordo com a interpretação que Vitasek faz do estudo de Williamson, isso é um erro grave, algo praticamente impossível.

“Formar contratos dessa natureza tolhe a criatividade e estimula a caça às bruxas quando algo dá errado”, diz Kate. Ela sugere que, em de tentar adivinhar o futuro é mais eficiente estabelecer as linhas gerais para serem seguidas no trabalho conjunto e prover um recurso para casos excepcionais. “Questões a serem resolvidas exigem um planejamento do processo e das ferramentas, não das questões em si”, diz.

4. Esteja preparado para o fim
Parcerias de subcontratação não duram para sempre. Portanto é bastante razoável planejar o encerramento da relação com antecedência. Em um artigo publicado no Journal of Supply Chain Management, Williamson escreveu que “de maneira consciente e com vistas para o futuro, um cliente de outsourcing pode mitigar os efeitos de uma relação contratual com o fornecedor”.

Sobre esse assunto, a professora da Universidade do Tenessee diz: “é importante reconhecer que as relações comerciais podem mudar com o tempo e em função de alterações no mercado. Baseado nisso, os contratos demandam planos de desligamento bem gerenciados. As partes devem identificar claramente os custos ligados ao encerramento dos contratos e criar dispositivos nos instrumentos que garantam integridade e preservem as partes no caso de uma quebra prematura de acordo."

5. Faça uma declaração de objetivos comuns
Sempre que possível, identifique fatores que caracterizam o alinhamento entre os seu negócio e o conhecimento do fornecedor de TI contratado. O objetivo dessa comparação é permitir a redução de custos finais. Kate sugere que uma declaração de objetivos comuns seja integrada ao contrato, para servir de matriz nos procedimentos futuros. Ela também sugere que um plano de prêmios por metas atingidas seja implementado.

6. Seja bom, mas não bonzinho
Faz sentido impor os interesses da organização na mesa de negociação, ou deixar que o outro imponha os próprios. De uma maneira ou de outra, no final das contas o cliente pagará pela escolha que fizer. Companhias que seguem o que Williamson chama de 'braço de ferro' na mesa de negociação merecem o nome de oblíquas e só enxergam as vantagens em curto prazo.

“O resultado desse modelo de negociação é deparar-se com preços de mercado mais elevados na hora de contratar outros fornecedores. É esperado que os provedores que tiverem de atender a condições impostas por clientes, tendam a incrementar os custos dos serviços com taxas de todas as naturezas”, diz Kate. A estudiosa cita Williamson e afirma que “deve-se ficar atento para não formar contratações idealísticas e românticas, em que se parte do princípio de que a outra parte vá cumprir exatamente o que promete”.

Condecorado pelo Prêmio Nobel, Williamson recomenda que os contratos sejam estabelecidos com base no que denomina de “contratação de confiança”, baseada em uma mistura de intuição e tino comercial, e não nas alternativas extremas. Esse tipo de contratação é “flexível suficiente para reconhecer que contratos extremamente complexos são incompletos por natureza e requerem cooperação por ambas as partes”, diz Kate.

7. Deixe que fiquem com o troco
A vasta maioria dos fornecedores de outsourcing de TI e de clientes desse segmento acredita que deixar que a outra parte “fique com o troco” é um sinal de burrice - e que representa um desperdício de dinheiro. Negociar implacavelmente na busca pelo menor preço vai, inevitavelmente, conduzir as partes para um gasto maior em longo prazo.

“Manobras e contra-manobras desse tipo vão prejudicar as engrenagens do sistema de cooperação e os lucros embutidos para as partes”, escreve Williamson. “Deixar o troco na mesa pode ser interpretado como sinal de intenção para um trabalho em conjunto profícuo e saudável e ameniza as preocupações referentes ao comportamento estrategicamente selvagem por parte do outro player”.
É claro que a eficiência desse comportamento varia de acordo com o nível de confiança existente entre as partes.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Sete conceitos tecnológicos para observar em 2010

Consultoria lista temas que devem causar impactos no dia-a-dia das corporações com abordagem voltada à finalidade de uso das tecnologias.

Por Redação da Computerworld
16 de abril de 2010 - 19h01

Na onda de previsões sobre os temas e conceitos tecnológicos que vão causar impacto no dia-a-dia das corporações, o TechLab, laboratório de pesquisas e análise de tecnologias da consultoria E-Consulting, divulgou uma lista com sete tendências para serem observadas em 2010.

Segundo o sócio-fundador da E-consulting, Daniel Domeneghetti, todas as tendências têm um fio condutor: a abordagem tecnológica não com foco na entrega, mas na finalidade de uso. “As listas tradicionais falam de CRM, BI, mas os departamentos têm muitos projetos dessas tecnologias que não entregam nada. O momento é de focar na finalidade das tecnologias”.

Confira as sete tendências apontadas pelo laboratório:

Empresa 2.0 – Cada vez mais conectadas às ferramentas sociais, as empresas terão de integrar todos os seus aplicativos internos com redes colaborativas, causando impacto em toda a arquitetura corporativa, influenciando fluxos, processos, rotinas e informação. “Essa mudança está acontecendo à revelia das corporações. Para lidar com essas transformações, o líder deve ser uma mistura do CIO com o CEO, que trate processos e informações de forma integrada”, explica Domeneghetti.

Integração multicanal – O paradigma tradicional de comunicação está mudando para um modelo nos quais vídeos, áudio, escrita, imagem, interatividade e mobilidade transformou os papeis de cada envolvido nesse processo. O desafio será gerenciar e integrar canais, mídias e ambientes de relacionamento, maximizando a finalidade de cada canal.

Contra-governança de TI – Grupos que não aceitam os ideais estabelecidos pelo departamento de TI fazem movimentos para derrubar os padrões e criam suas regras, escolhendo suas próprias ferramentas de trabalho. Smartphones, por exemplo, permitem que o usuário baixe seus próprios aplicativos e redefina sua forma de trabalho, sem contar outras ferramentas gratuitas disponíveis.

Para gerenciar esse movimento, a governança de TI deverá rever seu papel e objetivos: não será mais a que impõe regras, mas a que fornece nortes em prol da agilidade, velocidade e uso das opções tecnológicas disponíveis. “O primeiro passo é dominar o problema. O segundo é ter atitudes proativas para estimular boas práticas”, diz.

CRM 2.0 – Se as ferramentas de gestão de relacionamento com o cliente nasceram como meio de registro e análise das integrações empresa-cliente, hoje elas precisam estar atentas às atividades do cliente que digam respeito a empresa nos ambientes colaborativos. Para atender a esse novo consumidor, o CRM deverá se adaptar a essa realidade.

Usabilidade – As informações estão nos diversos dispositivos móveis, mas elas vão vencer ou perder a guerra nas corporações em função da experiência do usuário e não de decisões unilaterais. Esse efeito já pode ser sentido por aparelhos como o iPhone, que foi levado às corporações pelos usuários. O mesmo aconteceu, no passado, com as ferramentas da Google.

Informação na nuvem – A informação e o conhecimento estão disponíveis nas redes como módulos consumíveis, uma vez que a colaboração acelera o democratiza o fluxo de trocas e aprendizado. Entender esse cenário é essencial, uma vez que as tomadas de decisão devem ser imediatas.

Empresas Digitalmente Responsáveis (EDRs) – “É uma resposta à contra-governança corporativa. Impor regras e práticas não é mais produtivo, então os departamentos de TI devem normatizar conceitos e estabelecer instruções claras sobre as possibilidades que elas têm no mundo digital”, detalha Domeneghetti. Para se tornar uma EDR, a companhia pode abordar temas e práticas como consumo consciente, segurança digital, TI Verde, fomento à inclusão digital, transparência nos processos de transação online, entre outros.

Smartphones exigem política de gestão

Avanço de celulares nas empresas torna crítica a criação de estratégia para gerenciar o uso crescente desses dispositivos pelos funcionários

Por Redação da Computerworld
19 de abril de 2010 - 07h05

Como vice-presidente de TI da Windor Foors, em Houston, Texas (EUA), Stephan Henze, precisa estar um passo à frente das últimas tendências tecnológicas. Por isso, vem dedicando tempo a refletir sobre a segurança de smartphones corporativos. Há pouco tempo, a companhia tinha apenas uma dúzia desses dispositivos, mas agora a área de TI gerencia uma centena de aparelhos, número que continuará crescendo. A tarefa de proteger smartphones está ficando cada vez mais complexa, diz Henze, à medida que as necessidades de mobilidade da companhia ganham força. A constatação do vice-presidente da empresa norte-americana vale para todos os gestores da área de tecnologia da informação. A disseminação do uso de smartphones e a dependência da mobilidade tornam o gerenciamento de dispositivos móveis tão crítico quanto é a gestão de computadores.

Mas, na avaliação do diretor de novas tecnologias aplicadas da IBM Brasil, Cezar Taurion, o mercado corporativo ainda carece de políticas de gerenciamento de dispositivos móveis, já que poucas empresas contam com práticas deste tipo efetivamente implementadas. Para ele, o mercado está passando por um momento semelhante ao início da popularização dos desktops no ambiente corporativo, quando também faltava criar uma estratégia para gerenciar esses equipamentos.“Apesar de todos os riscos de segurança, duas em cada três organizações ainda estão se esforçando para definir e implementar políticas de TI ligadas à mobilidade”, concorda o analista da consultoria Strategy Analytics, Philippe Winthrop.

A quantidade de informações que os smartphones levam em si e a facilidade de perder de vista esses aparelhos são os dois fatores que têm despertado a atenção, ainda que tímida, do setor corporativo quanto à necessidade de gerenciar esses dispositivos. O smartphone miniatuariza o ambiente do PC, fazendo com que informações confidenciais e o acesso ao ambiente corporativo circulem de um lado para o outro, literalmente no bolso dos funcionários.

Essa mobilidade já era oferecida por notebooks e desktops, mas ganha novas dimensões com o celular. “A gestão desses dispositivos é imperativa. Eles vêm ocupando um espaço cada vez maior dentro do conceito de mobilidade, porque quanto menor, melhor”, sentencia o diretor de estratégia e arquitetura de TI do grupo químico Rhodia, Fernando Birman.

Padronizar ou não padronizar
Muitas companhias tentam estabelecer este tipo de controle comprando telefones padronizados para o uso dos funcionários. A opção da Rhodia foi pela padronização, usando os modelos da família BlackBerry, da Research in Motion (RIM). “A empresa distribui, dá suporte e tem regras para pagamento da conta e reembolso. A empresa gerencia os dispositivos”, conta Birman. Mas escolher ou não um padrão depende da estratégia e da cultura de cada companhia, observa o executivo. Para ele, o mais importante é que a empresa decida se adotará ou não a padronização.

O grupo alimentício Doux, dono da marca Frangosul, entre outras, por exemplo, ainda não padronizou os dispositivos usados por seus funcionários. Hoje a companhia utiliza o sistema Palm, por conta de um aplicativo de força de vendas, e terminais Blackberry, exclusivamente para executivos da área administrativa. São 120 Palms e 50 dispositivos da RIM. A empresa está em fase de análise das plataformas, que poderá culminar com um processo de mudança, conta o CIO da companhia, Rafael Nicolela. “O próprio mercado ainda não possui um modelo que tenha se firmado como dominante”, pondera o executivo, referindo-se à decisão de adotar ou não uma plataforma única.

Na Mondial Assistance, os membros do conselho de administração utilizam iPhones. Executivos da área comercial usam o modelo E71, da Nokia. Os modelos foram escolhidos em função de usabilidade e, no caso do iPhone, porque a empresa oferece serviços para seus clientes que são acessados apenas por meio do celular da Apple. “O iPhone é mais caro, por isso entra só no conselho executivo. O aparelho da Apple também consome mais por conta da facilidade de se trafegar dados”, explica o CIO da companhia, Marcelo Tort. Ao todo, a Mondial conta com 30 aparelhos para gerenciar, número que deve crescer nos próximos meses, de acordo com Tort. A empresa ainda não definiu se optará ou não pela padronização de smartphones, mas o CIO ressalta que está acompanhando o movimento e as ofertas no mercado. “O sistema Android vem ganhando destaque no mercado e será observado de perto pela companhia”, diz.

Na dúvida sobre homogeneizar ou não o parque de smartphones, o gerente de engenharia de sistemas da fornecedora de soluções McAfee, José Antunes, orienta CIOs a optarem pela primeira alternativa. “ Tudo o que você padroniza leva a um nível de segurança maior”, ressalta. A opção da General Motors (GM) foi oferecer o celular como benefício para todos os 6 mil funcionários da companhia. A vantagem é que os empregados contam com tarifas de uso de planos corporativos oferecidos pelas operadoras Vivo e TIM para suas ligações pessoais. As chamadas corporativas são pagas pela companhia, por meio de um relatório de ligações preparado pelo funcionário e aprovado pelo gestor. As operadoras oferecem uma gama de aparelhos que podem ser escolhidos pelos empregados. No caso dos cerca de 600 smartphones que oferecem acesso à e-mail, a GM padronizou o leque de opções entre dois modelos, um com Windows Mobile e outro com Symbian. "O sistema de e-mail vai direcionar você para alguma plataforma. Se você abrir muito o número de opções, isso causa dificuldades", diz o CIO da companhia, Cláudio Martins.

Segure as rédeas
Uma pesquisa realizada com 300 empresas nos Estados Unidos e na Europa indica que 80% dos participantes informaram ter crescido, nos últimos seis meses a 12 meses, o número de funcionários que querem usar seus próprios aparelhos no ambiente de trabalho. Além disso, 28% deles registraram vazamento de dados devido ao uso não autorizado desses equipamentos. O estudo foi feito pelo fornecedor de ferramentas de gerenciamento e segurança para mobilidade Good Technology.

“Os funcionários não pensam ou perguntam sobre qual laptop vão utilizar. Mas não há dúvidas de que eles vão questionar por que não receberam um BlackBerry, ou por que não podem usar o iPhone ou o Palm Pre. Mesmo que as empresas decidam atender ao desejo de cada usuário, elas precisam levar em conta que têm de gerenciar esses aparelhos e a informação que passa por eles ou é armazenada neles”, afirma Winthrop.

Na verdade, os smartphones devem ser vistos não como telefones, mas como computadores que também fazem ligações. “Antigamente, havia a Internet, a intranet e a rede corporativa da empresa”, diz Henze. Agora, com dispositivos cada vez menores e mais poderosos levando dados para qualquer lugar onde uma pessoa possa ir, esses conceitos se misturaram.

Envolva o usuário
Realmente, um aspecto complicador ligado à gestão de smartphones é que os usuários veem esses dispositivos como aparelhos pessoais e não como equipamentos que devem estar sob o controle do departamento de TI. “O usuário tende a ver o smartphone como algo que é azul e toca música, não como um recurso que deve ser assegurado”, afirma o analista da consultoria Gartner, John Girard. Por isso, o gerente de engenharia de sistemas da McAfee destaca a importância de envolver o usuário para que a política de segurança atinja os resultados esperados. “É preciso mostrar o risco que a informação apresenta para que ele entenda o transtorno que a perda ou o uso indevido do aparelho pode causar à empresa”, orienta Antunes. “Se o usuário não estiver envolvido e apoiando o processo, ele vai anotar a senha na bateria do telefone, vai comprar outro telefone para não ter de usar o que está assegurado, vai driblar a política”, ressalta.

Existem diversas alternativas de soluções para o gerenciamento e o incremento da segurança de smartphones. Alguns dos principais recursos incluem controle centralizado de gerenciamento de senhas; autenticação; encriptação; bloqueio por inatividade e destruição remota de dados. “Uma política de gerenciamento de dispositivos móveis deve ter como objetivo proteger os principais bens da companhia e estar em concordância com a cultura interna da organização”, afirma o gerente de segurança para América Latina da RIM, Pablo Kulevicius. Algumas das medidas de segurança incluem bloqueios por inatividade após de 10 minutos sem que o aparelho seja usado, além de destruição remota de dados se houver suspeita de comprometimento de informações após perda ou roubo, ou se a senha for digitada incorretamente mais de dez vezes.

Girard, do Gartner, afirma ser importante configurar os equipamentos para desconectarem depois de períodos de inatividade. Ele recomenda o prazo variável entre um e cinco minutos para aparelhos com informações de grande valor, e não mais que dez minutos para aqueles que têm dados de valor médio, e 15 minutos para os que têm informações menos sensíveis. Para voltar a usar o dispositivo, os usuários devem informar a senha novamente. A recomendação é que essa senha seja robusta, com entre sete e 12 caracteres. “Porque é móvel, as pessoas acham que deve ser fácil e resistem a adotar senhas mais fortes. Mas você não pode ter uma senha de quatro dígitos, porque realmente existe uma grande chance de alguém estar observando você digitar”, alerta Girard. Essa preocupação, no entanto, deve estar alinhada à usabilidade, para não afastar o usuário, destaca o especialista. “Pode ser complicado forçar os usuários a colocar senhas de 32 caracteres com quatro símbolos e digitá-la a cada dois minutos”, pondera Kulevicius.

Brasil terá certificação ambiental para data center

As diretrizes Leed buscam economizar energia e reduzir a emissão de gases de efeito estufa, a partir de parâmetros como a disposição física dos servidores, disposição do ar condicionado e tecnologias alternativas.

Por Verônica Couto, especial para CIO Brasil
16 de abril de 2010 - 11h46

Um grupo de especialistas brasileiros está traduzindo e adaptando à realidade local as especificações da Certificação Leed (Leadership in Energy and Environmental Design), destinada a orientar a construção de edifícios e data centers sustentáveis do ponto de vista ambiental.

O documento cobre vários parâmetros, entre eles: a disposição física dos servidores - a distância entre eles e a metragem dos corredores; os materiais das paredes capazes de assegurar isolamento térmico (e menor necessidade de resfriamento); a distribuição dos aparelhos de ar-condicionado em áreas ou salas de menores dimensões; além de relacionar tecnologias alternativas como captação de energia solar, entre outras.

Segundo o gerente sênior da PriceWaterhouseCoopers no Brasil e especialista em eficiência em TI, Norberto Tomasini, a certificação Leed pode ser obtida nas categorias Golden ou Silver, de acordo com o nível de aderência do projeto. Depois de traduzida e adaptada, será oferecida a consultores e auditores no País, para que eles possam no futuro conferir os projetos de data center elegíveis ao selo.

Fazem parte do grupo de tradução da certificação, além da PriceWaterhouseCoopers, representantes do Ministério do Meio Ambiente, técnicos da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), entre outros.

O trabalho já está sendo desenvolvido há um ano e Tomasini estima que sejam necessários outros 12 meses para sua conclusão. Entre as mudanças, o Brasil trabalha com uma taxa de conversão do total de watts consumido em carbono equivalente muito mais favorável do que a dos Estados Unidos, por ter uma matriz energética mais limpa, baseada em hidrelétricas, e não em termoelétricas (carvão). Ou seja, o mesmo watt consumido no País representa menos CO² do que no território norte-americano.

Apesar do tempo que ainda falta para o encerramento do trabalho de tradução, já há empresas brasileiras, segundo Tomasini, adotando parâmetros da certificação nos projetos de construção dos CPDs. Mais do que isso, ele acredita que muitos CPDs no País estariam atingindo a fase de esgotamento, na idade de 30 anos, em média,  quando começaria um novo ciclo de reconstrução nos grandes usuários. “Não é preciso erguer um datacenter novo. Hoje, há muito bons fornecedores terceirizados com tecnologias novas, mais sustentáveis. E os novos padrões ambientais e de redução de energia podem estar previstos e definidos nos acordos de nível de serviço (SLA)”, diz.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Quatro passos para começar uma estratégia de cloud computing

Empresas ainda têm muitas dúvidas sobre como dar início à adoção da computação em nuvem. Confira as dicas do vice-presidente de pesquisas do Gartner.

Por Rodrigo Afonso, da Computerworld
13 de abril de 2010 - 11h35

O conceito de computação em nuvem já passou por muitas rodadas de discussão, mas executivos de TI ainda têm dúvidas quanto à tecnologia e sua implantação. Uma pesquisa realizada pela auditoria norte-americana Information Systems Audit and Control Association (ISACA), metade dos líderes de TI nos EUA desconfia da cloud computing.

Segundo o vice-presidente de pesquisas do Gartner, Daryl Plummer, é possível começar a estratégia com algumas ações simples que darão aos gestores de TI uma ideia mais clara sobre o caminho a ser seguido nas nuvens.

Em palestra realizada nesta terça-feira (13/4) na IX Conferência Anual de Tecnologias Empresariais, em São Paulo, Plummer deixou claro que não há uma receita a ser seguida quanto à estratégia de cloud. Cada caso é um caso. “As empresas precisam encontrar o melhor meio termo entre a eficiência de custos, a flexibilidade da nuvem e a confiança que conseguem depositar nos provedores de serviços. Se não há confiança, não há como migrar”, observa.

É aí que entra a segunda discussão: nuvens públicas ou privadas? Para Plummer, essa não deve ser a principal preocupação dos gestores de TI. O mais importante, avalia o vice-presidente de pesquisas do Gartner, é garantir o controle sobre o gerenciamento da infraestrutura contratada, sob o ponto de vista de  gestão, segurança e latência de dados. Confira as quatro passos iniciais para as empresas aderirem à nuvem, segundo o especialista.

1 – Compare os custos atuais aos custos reais que sua empresa terá com um fornecedor de cloud. Isso implica em analisar os diferentes tipos de contrato e os riscos que eles envolvem. É possível fazer um paralelo com o consumo de dados no celular: o cliente usa à vontade até atingir o limite do plano contratado. Caso o ultrapasse, o megabyte adicional começa a ficar muito caro. Com a cloud, um preço inicial muito barato pode sair caro ou significar indisponibilidade de serviço.

2 – Eleja cargas de trabalho que podem ser colocadas na nuvem e coloque-as em diferentes provedores de serviço. Esse passo é fundamental para testar fornecedores e avaliar níveis de serviço e grau de confiabilidade.

3 – Empacote algumas aplicações não-críticas e coloque-as na nuvem. Mas é importante fazer um trabalho cuidadoso de avaliação e não parar nas primeiras aplicações, elaborando um planejamento estratégico para avançar paulatinamente.

4 – Teste uma plataforma de nuvem gratuita. Assim, a empresa pode fazer testes em uma nuvem interna, obtendo imediatamente informações sobre impacto, além de feedback interno na corporação.

Empresas nos EUA recebem incentivos para adotar TI Verde

Setor de utilities oferece benefícios para corporações que adotam virtualização ou cloud computing, por exemplo.

Por Kevin Fogarty, da Infoworld
13 de abril de 2010 - 13h00

O interesse em TI verde caiu junto com a economia durante os últimos dois anos, dizem os analistas. No entanto, virtualização e iniciativas de computação em nuvem também ajudam a reduzir o consumo e a economizar dinheiro. E algumas empresas do segmento de utilities oferecem benefícios fiscais para companhias com iniciativas de eficiência energética.

Isso é bom para a TI, uma vez que os projetos de virtualização e cloud computing podem reduzir a necessidade de compra de novo hardware, bem como aproveitar melhor equipamentos antigos, de acordo com o especialista em TI verde da IDC, Song Ian.

Um estudo de 2009 da Beacon Consultants Network encontrou empresas de utilities dispostas a pagar cerca de 6 dólares por computador para obterem de volta 100% do custo dos sistemas de gestão de energia. Mesmo projetos apenas perifericamente ligados ao gerenciamento de energia poderiam trazer um retorno inesperado.

Nos Estados Unidos, 55 empresas do setor de utilities oferecem algum tipo de retorno específico para projetos de virtualização, de acordo com a VMware/EMC. A Pacific Gas & Electric (PG & E), por exemplo, oferece uma gama de incentivos para a economia de energia em projetos de TI, como fazem outras companhias de energia da Califórnia, como a Sempra Energy, em San Diego. O Departamento de Energia dos EUA também ajuda a financiar e promover as conversões para a TI verde.

As empresas de energia têm boas razões para oferecer incentivos para os departamentos de TI corporativos. Tecnologias de todos os tipos geram pelo menos 2% do dióxido de carbono global a cada ano, de acordo com o Gartner.

O gerenciamento de energia pode economizar 40 mil dólares por ano para uma companhia com 2.500 PCs, reduzindo o consumo de energia para quase a metade, aponta o Gartner em relatório.

Incentivos para a virtualização
Muitas empresas estão se beneficiando desses incentivos. A NetApp obteve 1,4 milhão de dólares, em descontos no final de 2008 depois de substituir o seu data center por um mais eficiente. O provedor de hospedagem Fortune Data Centers obteve 900 mil dólares no ano passado para realizar melhorias em seu data center, com a expectativa de que esse investimento pouparia cerca de 4 milhões de dólares, ano ano, em custos com eletricidade.

Existem métodos muito mais simples de gerenciamento de energia, como desligar todos os PCs à noite, quando ninguém está usando. Esse tipo de processo está fazendo com que a Ford economize 1,2 milhão de dólares por ano.

Menos de 10% dos computadores nos EUA são configurados para se desligarem durante a noite, um recurso que poderia gerar economias com 50 dólares por computador ao longo de um ano, de acordo com estudo da Beacon Consultants Network.

A empresa Littler Mendelson recebeu um cheque inesperado de 10 mil dólares a partir de um programa da PG&E. "Nós não sabíamos", conta o engenheiro de redes sênior da empresa de São Francisco, David Park. De acordo com o executivo, a companhia foi orientada a utilizar a virtualização como forma de aliviar a pressão em uma sala de servidores que, embora muito bem localizada - um prédio de 20 andares, com vista sobre a Praia do Norte -, não estava preparada para manter os servidores em uma temperatura adequada.

Em 2008 a companhia virtualizou aproximadamente 10% de seus servidores, principalmente porque não queria comprar novos hardwares para uma sala já lotada. O mais recente salto de virtualização da Littler Mendelson, consolidou 86 servidores em quatro anos, ou seja, uma redução no consumo de TI em São Francisco, e 169.506 kWh anuais para 7.884 kW.

Park aprendeu sobre a PG&E a partir do programa da VMware que tem ajudado a coordenar os incentivos de 55 empresas, desde 2006. Segundo o gerente de alianças da VMware, Daniel Mudimbe, os clientes da empresa que participam de um dos programas têm em média de 10% a 18 % de redução de custos.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Uso da TI pode reduzir em 27% emissões de CO² do Brasil

No relatório da IDC, o País ocupa o terceiro lugar no ranking dos territórios que têm mais capacidade de transformar a tecnologia em aliada para diminuir a emissão de gases de efeito estufa.

Por Redação CIO Brasil
12 de abril de 2010 - 14h18

O uso da tecnologia da informação e comunicação pelas empresas pode permitir que o Brasil reduza em aproximadamente 27% a quantidade de emissões de CO² (gás carbônico) no meio ambiente até 2020 – se comparado a 2006. A constatação faz parte de um relatório da consultoria IDC, intitulado ICT Sustainability Index (Índice de Sustentabilidade de TIC).

Para elaborar o documento, a IDC analisou o potencial de 17 tecnologias para reduzir as emissões de gases que contribuem para o efeito estufa nas nações do G20 (grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo), em quatro verticais da economia: geração e distribuição de energia, transportes, indústria e construção.

O Brasil aparece no terceiro lugar do ranking dos países que devem obter maior redução de emissões anuais de CO² graças ao uso de TI. Em primeiro e segundo lugar, respectivamente, aparecem Japão e Estados Unidos e o País divide o terceiro posto com França, Alemanha e Reino Unido.

Para o diretor da consultoria IDC Brasil, Roberto Gutierrez, o bom desempenho do mercado brasileiro no ranking deve-se ao fato de que o País deve atrair uma série de investimentos nos próximos anos, dos quais, boa parte deve ser relacionada a iniciativas sustentáveis. O que, segundo o especialista, tende a envolver tecnologias que otimizem o uso de energia.

Destaque para transporte e indústria
No Brasil, o setor de transporte é apontado como um dos com mais potencial para redução na emissão de gases estufa. O relatório aponta que a melhoria da logística e da cadeia de suprimento podem contribuir com uma diminuição de 37%.

Além da área de transportes, a IDC aponta que a indústria destaca-se como outro segmento com alto potencial de redução das emissões de CO². Entre as soluções que mais devem contribuir com o índice, a consultoria afirma que o emprego de controladores inteligentes de motor pode representar uma redução de 14%, seguido por melhorias na automação dos processos industriais (6%) e impressão digital comercial (2%).