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quinta-feira, 9 de julho de 2009

Quais são as 10 razões que levam SOA ao fracasso?

Saiba os motivos, na opinião de Mike Kavis, da CIO, EUA, que levam a arquitetura orientada a serviços ao fracasso retumbante.

Por CIO, EUA
30 de julho de 2008 - 07h00

Diversos artigos apontam que um grande número de iniciativas SOA fracassa. No início de julho, na conferência anual Catalyst promovida pelo Burton Group, a vice-presidente e diretora de pesquisa da companhia, Anne Thomas Manes, disse que a maioria dos fracassos de SOA é mais uma questão cultural e de pessoas do que de tecnologia.

Concordo. Mas por que, exatamente, as pessoas fazem SOA fracassar? Há muitas razões para isso.

1. Valor de SOA para o negócio não é explicado
Um dos erros mais comuns dos profissionais de TI é abordar SOA apenas como tecnologia. Eles gastam muito tempo com arquitetura, governança e avaliações de fornecedores (o que é bom), mas se esquecem que SOA precisa resolver problemas do negócio.

Recomendação: Comece com problemas de negócio reais. É por isso que a aplicação “killer” para SOA é gerenciamento de processos de negócio (business process management - BPM). Aprimorando e automatizando processos de negócio, BPM resolve vários problemas do negócio. Provê visibilidade da performance operacional, aumenta a agilidade ao permitir que as empresas mudem seus processos dinamicamente sem envolvimento de TI, elimina desperdícios – e, conseqüentemente, reduz custos – e muito mais.

2. Subestimam a resistência contra as mudanças
A resistência contra as mudanças pode matar um projeto. Como SOA produz mudanças gigantescas em uma organização, o resultado é óbvio. As pessoas precisam entender o que têm a ganhar e por que a mudança é boa para elas e para a empresa. Cada nível tem preocupações que precisam ser abordadas e resolvidas individualmente.

Recomendação: Elabore um plano de gerenciamento de mudança organizacional (organizational change management -- OCM). Eu iria um pouco além e contrataria um especialista em OCM externo para ajudar a equipe de liderança da iniciativa SOA a lidar com a mudança.

3. Não possuem patrocínio executivo
Sem um forte patrocínio executivo, é altamente improvável que uma iniciativa SOA aconteça. SOA é uma grande empreitada que abrange múltiplos departamentos e sistemas. Você precisa de um executivo forte, com poder e tempo para manter a iniciativa em andamento e superar obstáculos ao longo do caminho.

Recomendação: Se a implementação SOA está alinhada com os principais motores do negócio, o patrocinador executivo deve ser um profissional de alto nível da área de negócio que se beneficia substancialmente da implementação. O negócio deve nortear o road map de SOA.

4. Tentam implementar ‘mini SOA’
SOA não é algo que você compra, é algo que você faz. Algumas empresas tentam fazer SOA com orçamento limitados, sem o middleware, governança, treinamento, consultoria, infra-estrutura e segurança.

Gerenciar SOA em um ambiente de produção é desafiador por causa de sua natureza distribuída e frouxamente acoplada. Economizar em ferramentas de gerenciamento do ciclo de vida ou em resolução de problemas não é boa idéia, assim como eliminar consultores.

Recomendação: Trace um mapa com os benefícios de longo prazo que SOA proporcionará à empresa. Mostre o retorno sobre o investimento. Se você elaborar um caso de negócio suficientemente bom, haverá dinheiro bastante para financiar a iniciativa. Além disso, estão disponíveis ótimos produtos open source que reduzem enormemente os custos gerais de uma implementação SOA.

5. Não têm as pessoas necessárias para SOA

Você precisa de arquitetos de SOA, modeladores de processos de negócio, administradores das ferramentas, arquitetos de dados e muitas outras habilidades. Estas funções não são baratas. Tentar implementar SOA sem qualquer experiência em SOA é um grande erro. O negócio precisa de treinamento em melhoria de processos e, possivelmente, até nas próprias ferramentas BPM.

Recomendação: Elabore um plano abrangente para treinamento e inclua a previsão no orçamento inicial. Tente reduzir o número de vezes que você precisa pedir dinheiro e obtenha o máximo que puder no início. Do contrário, a gerência pode ver a iniciativa SOA como um ralo interminável de capital.

6. Fraca gerência de projetos
No fim das contas, tudo ainda se resume à capacidade da empresa de gerenciar projetos. Os gerentes de projeto têm que gerenciar o escopo, mitigar riscos, manter as pessoas dentro do cronograma planejado e prover a comunicação apropriada em todos os níveis. Se sua organização luta para viabilizar projetos normais, suas chances de êxito com SOA serão duas vezes desafiadoras.

Recomendação: Coloque seus melhores recursos de gerenciamento neste projeto. Ou saia e arranje um ou dois especialistas. Esta pessoa precisa ser técnica o suficiente para entender SOA em um nível conceitual.

7. Pensam em SOA como um projeto
Muitas empresas ingênuas acham que SOA é apenas um projeto. SOA é uma arquitetura de software e só alcança os benefícios quando a empresa adere aos fundamentos da orientação a serviço. SOA exige especialização. Um serviço de negócio é resultado dos esforços de um arquiteto SOA, um desenvolvedor, um arquiteto de dados e um especialista em segurança. Foi-se o tempo em que uma pessoa fazia tudo sozinha.

Recomendação: A estrutura padrão de equipe de TI não é eficaz para SOA. Pense de uma maneira não convencional. Derrube os cubículos e crie um espaço aberto para possibilitar que estes especialistas trabalhem bem próximos. Também ajudar ter pessoal de negócio e testadores neste mesmo local. Elimine ao máximo as reuniões e escolha técnicas mais colaborativas.

8. Subestimam a complexidade de SOA.
Conceitualmente, SOA é apenas a próxima evolução da TI. Não é um conceito difícil de entender, mas difícil de implementar. A beleza de SOA e de BPM está na simplicidade que proporcionam para os usuários finais ao integrar diversos sistemas back end de forma a aparecerem para estes usuários como um aplicativo composto. O lado negativo é aumentar muito a complexidade de criar e gerenciar software. Muitos desenvolvedores terão que se esforçar bastante para fazer a transição. SOA demanda aderência a padrões e melhores práticas (governança) e segurança.

Recomendação: Não importa quão conservador você seja, prepare-se para enfrentar vários obstáculos técnicos. Implemente na hora oportuna, pensando nos problemas de integração causados por código ou pelas próprias ferramentas. Os produtos dos fornecedores estão muito longe de serem amadurecidos e haverá problemas. Estabeleça expectativas realistas e não tente fazer coisas demais cedo demais. Comece pequeno, forneça valor com freqüência e capitalize isso.

9. Não conseguem aderir a governança SOA
Governança é um palavrão para muita gente. Chame de gerenciamento SOA e talvez as pessoas não tremam tanto.

De todo modo, para obter os benefícios de SOA (reutilização, flexibilidade, agilidade), a equipe precisa aderir às diretrizes arquiteturais que a empresa adota. É o que se chama governança “design time”. Sem ela, provavelmente você terá apenas um punhado de Web services. Em algum momento, o esforço de desenvolvimento passará de criar serviços para consumir serviços.

Há também a governança “run time”. Você gerencia pró-ativamente a “saúde” do seu ambiente de produção SOA e a governança run time permite ver quais serviços estão sendo consumidos, aplicar políticas e SLAs, diagnosticar, analisar a performance e gerenciar todos os ativos.

Recomendação: Trate a governança como parte integral de SOA. Deve haver uma equipe dedicada com seu próprio road map e visão de longo prazo. Governança é uma jornada, levará vários anos para atingir um alto nível de maturidade. À medida que a governança amadurece, o mesmo acontece com a implementação SOA. Invista em ferramentas de gerenciamento de serviços, registro e repositório.

10. Deixam os fornecedores direcionar a arquitetura
Apoiar-se demais em um fornecedor pode ser desastroso. A meta dos fornecedores é vender-lhe o máximo de produtos possível. Mas você tem a meta de implementar SOA com êxito e fornecer à sua empresa o máximo de benefícios com o mínimo de custo. Percebe o conflito de interesses?

Recomendação: Descubra o que você precisa antes de conversar com os fornecedores. Adote um processo muito abrangente de avaliação do fornecedor. Quando você reduzir a poucos fornecedores, faça-os vir até o local para realizar uma prova de conceito de acordo com requisitos que você fornece. Veja-os pessoalmente em execução. Assim os fornecedores não podem mais se esconder atrás de belos slides do PowerPoint. Isso impede que você cometa erros colossais.

Faça seu dever de casa. Leia blogs de profissionais, converse com empresas de consultoria que utilizam as ferramentas, com outras empresas que implementaram SOA e com referências fornecidas pelos fabricantes. Não siga atalhos. Você terá que conviver que as decisões que tomar.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Business Intelligence chega à fase de maturidade

São Paulo - Evolução de políticas de gestão faz com que implementação de BI apareça, ano após ano, na lista de prioridades das áreas de TI.

Por Fabiana Monte, editora-assistente do COMPUTERWORLD
29 de junho de 2009 - 07h00

Há anos, ferramentas de Business Intelligence (BI) aparecem na lista das dez prioridades das áreas de tecnologia da informação das empresas - desde 2003, por exemplo, é aposta certeira na relação divulgada pelo instituto de pesquisas Gartner. Mas o que faz uma tecnologia destacar-se, seguidamente, nos rankings de prioridades organizados pelas consultorias globais?

Ricardo Neves, líder da área de TI no Brasil e América do Sul da consultoria PricewaterhouseCoopers, explica que a constante evidência do BI está ligada diretamente à crescente necessidade das empresas de alcançar maior agilidade e eficiência operacional.

A consolidação do uso dos chamados “sistemas do negócio”, como gestão corporativa (da sigla em inglês, ERP) e gestão do relacionamento com o cliente (da sigla em inglês, CRM), faz com que as corporações acumulem dezenas de milhões de dados sobre seus negócios. O papel das ferramentas de BI é apresentar aos gestores variáveis que os apóiem na tomada de decisão para suportar mudanças ou práticas de negócios.

“Depois da promessa trazida pelo ERP e pelo CRM de uma empresa mais integrada e eficiente, existiu uma demanda muito forte por informações para tomar decisões de forma ágil”, diz Neves. Ao longo dos anos, as organizações investiram milhões de dólares em sistemas para obter e consolidar dados sobre seus negócios. O desafio seguinte - e que se mantém - é extrair informações relevantes desse emaranhado de números acumulados nos sistemas de gestão.

Para Rita Sallam, diretora de pesquisa do Gartner com foco em BI e gerenciamento de desempenho, o Business Intelligence está em voga há anos por uma série de motivos, mas o principal é que as empresas precisam de ferramentas para tomar as melhores decisões. “Tipicamente, boa parte do problema é ter acesso aos dados de que elas precisam”, avalia.

Beauty Intelligence
A Avon, empresa que atua no ramo de cosméticos e fatura mais de 10 bilhões de dólares por ano, começou a dar os primeiros passos no uso de BI em 2002 e já investiu cerca de 6 milhões de dólares na tecnologia, com a solução da MicroStrategy. A companhia comercializa seus produtos, como maquiagem e bijuteria, em mais de 100 países, exclusivamente, por meio de vendas diretas que conta com, aproximadamente, 6 milhões de vendedoras autônomas.

O desafio do BI na companhia é grande. De acordo com Andréa Pereira, diretora de TI da Avon no Brasil, diariamente são recebidos cerca de 80 mil pedidos das vendedoras. Por ano, a empresa troca 19 vezes os produtos de seu catálogo.

“Hoje o BI já dá bastante retorno para a empresa, é muito utilizado na área de vendas e de marketing, mas acho que ainda temos muitas oportunidades a explorar com a ferramenta”, pondera. Para Andréa, dois aspectos mantêm a tecnologia em destaque nos orçamentos. Primeiro, porque a implantação dessa tecnologia é um processo que toma tempo.

Além dos aspectos técnicos, observa a diretora, é necessário promover mudanças culturais na organização e no próprio perfil do usuário, que deve ter uma visão cada vez mais analítica dos dados. “As pessoas têm de fazer cruzamento de informações e projeções. Não é uma ferramenta que você pede para o estagiário gerar relatório”, ressalta.

Do lado da empresa, é necessário padronizar os conceitos utilizados pelas diversas áreas da corporação, unificando o banco de dados de onde serão extraídas as informações a serem analisadas. Na Avon, a solução foi criar um glossário dentro da ferramenta, garantindo a uniformidade de conceitos.

O segundo fator que mantém o Business Intelligence em alta é que, ao usar essa ferramenta, as empresas estabelecem novos níveis de exigência em relação à análise de informações: quanto mais a ferramenta é utilizada, mais se percebe o quão importante e útil ela é para a gestão estratégica do negócio.

De acordo com Andréa, BI é um processo sem fim. Na Avon, a implantação da tecnologia começou devagar, como um projeto dentro da área de tecnologia da informação, mas que teve de envolver todas as áreas da companhia. “Fizemos entrevistas com pessoas de vários níveis para entender o que elas queriam e consolidamos as demandas para fazer a implantação por etapas", diz. "Começamos com indicadores de marketing, depois de vendas, financeiros e até hoje a gente vai acrescentando”, enumera a executiva.

O sistema de BI da Avon acumula três anos de históricos de pedidos, promoções e campanhas de venda, por região, entre outras informações. Isso permite à empresa realizar comparações de desempenho com base em ações já tomadas. Essas informações alimentam a área mundial de análise e são decisivas para que a operação da companhia tome decisões sobre investimentos publicitários, por exemplo. Graças à análise gerada pela ferramenta de BI, a unidade brasileira conseguiu verba para anúncios em TV e revista.

“Chegamos à conclusão de que o Brasil é um dos países com maior retorno sobre o investimento feito em propaganda de TV. É difícil quantificar nosso ganho, mas posso dizer que hoje fazemos um trabalho muito mais consciente em relação a qualquer tipo de investimento e lançamento”, orgulha-se Andréa.